Lenda da Boíuna

A boiúna, de mboi, “cobra” e una, “negra”, também conhecida como boiaçu, de mboi e açu, “grande”, ou ainda cobra-grande é um dos mais poderosos e complexos mitos amazônicos, exercendo ampla influência nas populações às margens do rio Amazonas e seus afluentes.

Sobre a lenda

A Boíuna, a princípio, a forma de uma sucuri ou uma jiboia comum. Com o tempo, adquire grande volume, abandona a floresta e vai para o rio. Habita a parte mais funda do rio, os poções, aparecendo uma vez ou outra na superfície. É descrita como uma cobra gigante medindo cerca de 20 a 45 metros.

Segundo a lenda, a Boiúna é uma cobra tão grande que por onde ela passa, ela forma os igarapés (canal de água). Uns dizem que após não ter mais peixes, a boiúna começou a aterrorizar e devorar pessoas das tribos que viviam próximas dos rios, até que um dia ela se apaixonou por uma índia.

De acordo com os relatos de algumas tribos, a cobra grande engravidou uma índia e dessa gestação nasceram duas serpentes, entre os rios Amazonas e Trombetas. A mãe deu-lhes aos gêmeos os nomes de Honorato e Caninana. Eles não podiam viver na terra, e por isso foram criado nas águas dos rios. Quando cresceram, o povo começou a chamá-los de Cobra Norato e Maria Caninana.

Honotato era bom, e não fazia mal a ninguém, salvando diversas pessoas de se afogarem no rio. Quando escurecia e a lua aparecia no céu, o Cobra Grande, como também era conhecido, saía do rio e virava um rapaz bonito, que adorava ir para festas. E quando a madrugada chegava, voltava para seu corpo de cobra e para o rio. 

Já a sua irmã Caninana, era terrível, ao invés de ajudar os humanos, ela afundava barcos e feria peixes pequenos.

Certo dia, Cobra Norato Maria Caninana começaram a brigar no rio Madeira, por conta das crueldades de sua irmã. As duas serpentes lutaram violentamente, transformando as águas calmas do rio em um redemoinho enorme. Ao fim da batalha, Cobra Norato acabou matando a sua irmã.

Presente no imaginário de muitas pessoas, a Boiúna é uma entidade mística que possui o poder de controlar as águas, os peixes e os seres que vivem na floresta, e com isso essa lenda inspirou a criação de diversas músicas, poemas e filmes.